THE PARALLEL UNIVERSE IS THE PERFECT SCENE


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2 notes Ergueu a cabeça para o teto, admirando o ventilador - estático - e entregou-se à uma roda temática interna sobre a sua felicidade.

A felicidade, um mar aberto, um sentimento trocado, uma noite quente; pequenos objetos, uma lembrança fosca, editada pelo conforto ou pela mágoa; esse imenso conjunto de gavetas semiabertas que deixava brilhar aqui e ali, tesouros que guardara ao longo da vida; assim contava o tempo, não em anos, mas através de uma constelação de detalhes esfumaçados.

Sorriu quando teve a suspeita de estar ao centro de si.

Ergueu a cabeça para o teto, admirando o ventilador - estático - e entregou-se à uma roda temática interna sobre a sua felicidade.
A felicidade, um mar aberto, um sentimento trocado, uma noite quente; pequenos objetos, uma lembrança fosca, editada pelo conforto ou pela mágoa; esse imenso conjunto de gavetas semiabertas que deixava brilhar aqui e ali, tesouros que guardara ao longo da vida; assim contava o tempo, não em anos, mas através de uma constelação de detalhes esfumaçados.
Sorriu quando teve a suspeita de estar ao centro de si.

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0 notes E veja esses poços circulares, de dimensão infinita, conjuntos equidistantes, numa terra onde não chove e cujo silêncio é o chiado morto de uma massa humana que respira desigual; vislumbram nas beiradas o seu próprio reflexo, uma imagem rasa cultivada pela ausência do vento, e ao redor de cada poço tantas outras almas demoram-se nesta sede.

No centro de cada poço habita uma ninfa entediada, uma escrava dos deuses, e que faz de sonhos perdidos pequenas pedras brilhantes; vez ou outra as ninfas atiram as pedras na água e esperam - famintas - as ondas chegarem às bordas e de lá voltarem causando um grande desespero aos narcisos, que se atiram em busca da própria imagem. Os que restam uivam e choram diante do espelho retorcido, e suas lágrimas alimentam cada círculo até que a água permaneça estática e suas existências voltem a ter sentido.

Certa vez, uma ninfa atirou-se ao poço.

E veja esses poços circulares, de dimensão infinita, conjuntos equidistantes, numa terra onde não chove e cujo silêncio é o chiado morto de uma massa humana que respira desigual; vislumbram nas beiradas o seu próprio reflexo, uma imagem rasa cultivada pela ausência do vento, e ao redor de cada poço tantas outras almas demoram-se nesta sede.
No centro de cada poço habita uma ninfa entediada, uma escrava dos deuses, e que faz de sonhos perdidos pequenas pedras brilhantes; vez ou outra as ninfas atiram as pedras na água e esperam - famintas - as ondas chegarem às bordas e de lá voltarem causando um grande desespero aos narcisos, que se atiram em busca da própria imagem. Os que restam uivam e choram diante do espelho retorcido, e suas lágrimas alimentam cada círculo até que a água permaneça estática e suas existências voltem a ter sentido.
Certa vez, uma ninfa atirou-se ao poço.

1 note Meus olhos castanhos abriram-se para o céu, cegos pela vida do sol eterno, da luz perpétua; olhos insones, brilhantes esferas incapazes de admirar a luz das estrelas. Meus olhos eram incapazes de ver o passado.

Este manto frio que é a noite quando na condição solitária não caiu sobre os meus afetos; eu segurei forte nas coisas que acontecem somente após o amanhecer, embora todas elas estivessem ainda - e sempre - adormecidas quando delas necessitei.

Houve um trânsito, uma lua escondida atrás de outra lua escondida atrás de um planeta; o tempo uivou baixo, atravessou as folhas e as persianas até que a verdade respirou fresca perto do meu rosto.

Meus olhos castanhos abriram-se para o céu, cegos pela vida do sol eterno, da luz perpétua; olhos insones, brilhantes esferas incapazes de admirar a luz das estrelas. Meus olhos eram incapazes de ver o passado.
Este manto frio que é a noite quando na condição solitária não caiu sobre os meus afetos; eu segurei forte nas coisas que acontecem somente após o amanhecer, embora todas elas estivessem ainda - e sempre - adormecidas quando delas necessitei.
Houve um trânsito, uma lua escondida atrás de outra lua escondida atrás de um planeta; o tempo uivou baixo, atravessou as folhas e as persianas até que a verdade respirou fresca perto do meu rosto.

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3 notes Não há muita clareza nas coisas que aconteceram sob a chuva fina e uma redoma de nuvens opacas e misteriosas, como que querendo concentrar nos eventos um espetáculo particular, um palco fechado e único de onde os atores não podem visualizar nada além de uma cor cinza.
Sabe-se apenas que naquele dia impediram que a água entrasse em contato com as coisas de fora, isolaram desejos do encontro com o bloco líquido de sentimentos já conhecidos; não mais as coisas poderiam turvar algo que tão nítido estava.
Não houve espaço para os barquinhos de papel, nem estrelas para guiar os olhos para fora daquela cerca estreita de condições; mágoas foram domesticadas dentro da escuridão.
Abriu-se uma rachadura no vidro deste último viveiro, que foi tragando a água do leviatã, cobrindo de ar todas as pedras e paredes, deixando-o seco em sua agonia, e com os olhos de dragão a assistir lentamente a pilhagem de seus tesouros naufragados.
Pela manhã, a dúvida foi um orvalho fresco, levado embora pelo vento.

Não há muita clareza nas coisas que aconteceram sob a chuva fina e uma redoma de nuvens opacas e misteriosas, como que querendo concentrar nos eventos um espetáculo particular, um palco fechado e único de onde os atores não podem visualizar nada além de uma cor cinza.

Sabe-se apenas que naquele dia impediram que a água entrasse em contato com as coisas de fora, isolaram desejos do encontro com o bloco líquido de sentimentos já conhecidos; não mais as coisas poderiam turvar algo que tão nítido estava.

Não houve espaço para os barquinhos de papel, nem estrelas para guiar os olhos para fora daquela cerca estreita de condições; mágoas foram domesticadas dentro da escuridão.

Abriu-se uma rachadura no vidro deste último viveiro, que foi tragando a água do leviatã, cobrindo de ar todas as pedras e paredes, deixando-o seco em sua agonia, e com os olhos de dragão a assistir lentamente a pilhagem de seus tesouros naufragados.

Pela manhã, a dúvida foi um orvalho fresco, levado embora pelo vento.

1 note Me pergunto o que houve conosco, separadamente; sentada aqui no meio da tarde, em silêncio, tendo a concentração roubada pela sua inoportuna ausência (e a certeza da sua distância), como se você mesmo viesse ao meu encontro e, de súbito, me beijasse o rosto.

- levantou os olhos do livro, sentia o vapor fresco da água do mar subindo pelas frestas das pedras. -

E perco meus valiosos minutos - só agora sei o valor do meu próprio tempo - com essa corda desafinada que abala a harmonia dos meus pensamentos; me dou conta, enfim, de que estou cercada pela desordem do cenário em que me encontro: inúmeras crianças e cães, campainhas de bicicleta e, é claro, o retumbar seco de um passe de bola: a inevitável lembrança das suas noites de terça arrancada no susto do tum, tum; porra!

Você está aqui. Você permanece. E eu, onde estou?

Me pergunto o que houve conosco, separadamente; sentada aqui no meio da tarde, em silêncio, tendo a concentração roubada pela sua inoportuna ausência (e a certeza da sua distância), como se você mesmo viesse ao meu encontro e, de súbito, me beijasse o rosto.
- levantou os olhos do livro, sentia o vapor fresco da água do mar subindo pelas frestas das pedras. -
E perco meus valiosos minutos - só agora sei o valor do meu próprio tempo - com essa corda desafinada que abala a harmonia dos meus pensamentos; me dou conta, enfim, de que estou cercada pela desordem do cenário em que me encontro: inúmeras crianças e cães, campainhas de bicicleta e, é claro, o retumbar seco de um passe de bola: a inevitável lembrança das suas noites de terça arrancada no susto do tum, tum; porra!
Você está aqui. Você permanece. E eu, onde estou?