Não há muita clareza nas coisas que aconteceram sob a chuva fina e uma redoma de nuvens opacas e misteriosas, como que querendo concentrar nos eventos um espetáculo particular, um palco fechado e único de onde os atores não podem visualizar nada além de uma cor cinza.
Sabe-se apenas que naquele dia impediram que a água entrasse em contato com as coisas de fora, isolaram desejos do encontro com o bloco líquido de sentimentos já conhecidos; não mais as coisas poderiam turvar algo que tão nítido estava.
Não houve espaço para os barquinhos de papel, nem estrelas para guiar os olhos para fora daquela cerca estreita de condições; mágoas foram domesticadas dentro da escuridão.
Abriu-se uma rachadura no vidro deste último viveiro, que foi tragando a água do leviatã, cobrindo de ar todas as pedras e paredes, deixando-o seco em sua agonia, e com os olhos de dragão a assistir lentamente a pilhagem de seus tesouros naufragados.
Pela manhã, a dúvida foi um orvalho fresco, levado embora pelo vento.